Slides e transcrição
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Nesta secção, vamos discutir como otimizar o tratamento da depressão minimizando os efeitos secundários sexuais.
Referências:
- Anita H. Clayton, M.D.
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Um aspeto fundamental a ter em conta: o tratamento da depressão deve ser personalizado. Entre os fatores que podem orientar a escolha do tratamento incluem-se as características clínicas do doente, como comorbilidades ou sintomas específicos, a gravidade da depressão, o grau de comprometimento funcional, bem como o historial terapêutico, as preferências, os objetivos e as expectativas do doente.
Referências:
- American Psychiatric Association. (2010). Practice guideline for the treatment of patients with major depressive disorder (3rd ed.). American Psychiatric Association.
- Oluboka, O. J., Katzman, M. A., Habert, J., McIntyre, R. S., McIntosh, D., MacQueen, G., Milev, R., Muller, D. J., Parikh, S. V., Pearson, N. L., & Rong, C. (2018). Functional recovery in major depressive disorder: Providing early optimal treatment for the individual patient. International Journal of Neuropsychopharmacology, 21(2), 128–144. https://doi.org/10.1093/ijnp/pyx081
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É importante discutir com o doente as características do antidepressivo, nomeadamente a sua eficácia, segurança, tolerabilidade e dados sobre efeitos adversos que possam comprometer a eficácia, a tolerabilidade ou a adesão ao tratamento.
Referências:
- American Psychiatric Association. (2010). Practice guideline for the treatment of patients with major depressive disorder (3rd ed.). American Psychiatric Association.
- Oluboka, O. J., Katzman, M. A., Habert, J., McIntyre, R. S., McIntosh, D., MacQueen, G., Milev, R., Muller, D. J., Parikh, S. V., Pearson, N. L., & Rong, C. (2018). Functional recovery in major depressive disorder: Providing early optimal treatment for the individual patient. International Journal of Neuropsychopharmacology, 21(2), 128–144. https://doi.org/10.1093/ijnp/pyx081
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Num estudo que analisou de que forma as preferências dos doentes influenciam a não adesão ao antidepressivo devido a efeitos adversos, verificou-se que o motivo mais frequente para a interrupção do antidepressivo é a falta de eficácia, com 60% dos doentes a abandonar o tratamento. Cerca de 22% dos doentes apresentam falta de adesão, nem sempre comunicada ao médico assistente.
Referências:
- Ashton, A. K., Jamerson, B. D., L Weinstein, W., & Wagoner, C. (2005). Antidepressant-related adverse effects impacting treatment compliance: Results of a patient survey. Current Therapeutic Research, Clinical and Experimental, 66(2), 96–106. https://doi.org/10.1016/j.curtheres.2005.04.006
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Os motivos apontados para a não adesão ao tratamento incluem dificuldade em lembrar de tomar a medicação em 43% dos casos, aumento de peso significativo em mais de um quarto dos doentes, incapacidade de atingir o orgasmo em 1 em cada 5 doentes, e perda do desejo sexual também em 20% dos doentes.
Referências:
- Ashton, A. K., Jamerson, B. D., L Weinstein, W., & Wagoner, C. (2005). Antidepressant-related adverse effects impacting treatment compliance: Results of a patient survey. Current Therapeutic Research, Clinical and Experimental, 66(2), 96–106. https://doi.org/10.1016/j.curtheres.2005.04.006
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Os doentes referiram que os efeitos adversos extremamente difíceis de tolerar e com impacto na qualidade de vida foram o aumento de peso em mais de 30% dos casos, a dificuldade em ter uma ereção em 25%, a dificuldade em atingir o orgasmo em 24% e a sensação de cansaço diurno ou falta de energia em cerca de 20%. A maioria desejava melhorias que os ajudassem a manter a adesão ao tratamento. Devemos, portanto, ter estes aspetos em mente quando abordamos intervenções com os nossos doentes.
Referências:
- Ashton, A. K., Jamerson, B. D., L Weinstein, W., & Wagoner, C. (2005). Antidepressant-related adverse effects impacting treatment compliance: Results of a patient survey. Current Therapeutic Research, Clinical and Experimental, 66(2), 96–106. https://doi.org/10.1016/j.curtheres.2005.04.006
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Que tipo de abordagem geral devemos considerar para as condições psiquiátricas e médicas? Em primeiro lugar, maximizar a eficácia das intervenções para reduzir os efeitos da doença. Eliminar fatores contribuintes como o álcool, outras substâncias, medicamentos, tabagismo e disfunção sexual do parceiro. Estes são aspetos importantes a discutir com os doentes e devem fazer parte do exame de rotina.
Referências:
- American Psychiatric Association. (2010). Practice guideline for the treatment of patients with major depressive disorder (3rd ed.). American Psychiatric Association.
- Oluboka, O. J., Katzman, M. A., Habert, J., McIntyre, R. S., McIntosh, D., MacQueen, G., Milev, R., Muller, D. J., Parikh, S. V., Pearson, N. L., & Rong, C. (2018). Functional recovery in major depressive disorder: Providing early optimal treatment for the individual patient. International Journal of Neuropsychopharmacology, 21(2), 128–144. https://doi.org/10.1093/ijnp/pyx081
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Também é importante discutir limitações e adaptações, incluindo a participação do parceiro sexual, posições alternativas, ou questões psicossociais e relacionais.
Referências:
- Lorenz, T., Rullo, J., & Faubion, S. (2016). Antidepressant-induced female sexual dysfunction. Mayo Clinic Proceedings, 91(9), 1280-1286. https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2016.04.033
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Na disfunção sexual induzida por inibidores da recaptação de serotonina, pode substituir-se a medicação, o que poderá ser mais eficaz em doentes que experienciam disfunção sexual com o primeiro antidepressivo. Fármacos como a bupropiona, a mirtazapina, o sistema transdérmico de selegilina, a vilazodona, a desvenlafaxina, a duloxetina, a vortioxetina e a gepirone ER podem ter menor eficácia ou apresentar outros problemas de tolerabilidade comparativamente à disfunção sexual, mas deverá observar-se uma melhoria do funcionamento sexual ao transitar os doentes para estes medicamentos.
Referências:
- Clayton, A. H., Pradko, J. F., Croft, H. A., Montano, C. B., Leadbetter, R. A., Bolden-Watson, C., Bass, K. I., Donahue, R. M., Jamerson, B. D., & Metz, A. (2002). Prevalence of sexual dysfunction among newer antidepressants. The Journal of Clinical Psychiatry, 63(4), 357–366. https://doi.org/10.4088/jcp.v63n0414
- Clayton, A. H., Croft, H. A., Horrigan, J. P., Wightman, D. S., Krishen, A., Richard, N. E., & Modell, J. G. (2006). Bupropion extended release compared with escitalopram: effects on sexual functioning and antidepressant efficacy in 2 randomized, double-blind, placebo-controlled studies. The Journal of Clinical Psychiatry, 67(5), 736–746. https://doi.org/10.4088/jcp.v67n0507
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Ou, se o doente responder bem ao inibidor da recaptação de serotonina mas apresentar disfunção sexual, especialmente se já falhou outros antidepressivos no passado, pode adicionar-se um antídoto. Embora todos sejam utilizados fora de indicação, podem reverter a disfunção sexual associada ao inibidor da recaptação de serotonina, incluindo a bupropiona, a buspirona, a testosterona, o sildenafil, a mirtazapina e o DHEA de venda livre. Todos estes podem ser utilizados e podem, de facto, potenciar a eficácia antidepressiva do inibidor da recaptação de serotonina. No entanto, há que considerar a possibilidade de interações medicamentosas, efeitos secundários associados e o custo acrescido de tomar dois medicamentos.
Referências:
- Kornstein, S. G., Clayton, A. H., Warnock, J. K., Pinkerton, R., Sheldon-Keller, A., & McGarvey, E. L. (2004). A placebo-controlled trial of bupropion SR as an antidote for selective serotonin reuptake inhibitor-induced sexual dysfunction. The Journal of Clinical Psychiatry, 65(1), 62–67. https://doi.org/10.4088/JCP.v65n0110
- Nurnberg, H. G., Hensley, P. L., Heiman, J. R., Croft, H. A., Debattista, C., & Paine, S. (2008). Sildenafil treatment of women with antidepressant-associated sexual dysfunction: A randomized controlled trial. JAMA, 300(4), 395-404. https://doi.org/10.1001/jama.300.4.395
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Ao pensar nas intervenções para os nossos doentes, educar o doente e, sempre que possível, incluir o parceiro sobre o funcionamento sexual normal e os fatores que contribuem ou mantêm a disfunção sexual pode fazer uma grande diferença. Por exemplo, recomendar o uso de lubrificantes em mulheres pós-menopáusicas pode, de facto, melhorar o seu funcionamento sexual. É necessário individualizar os cuidados, analisar a medicação em curso, considerar os episódios depressivos e determinar as preferências do doente relativamente às intervenções. Neste processo, devem ter-se em conta princípios de gestão como a relação risco-benefício, o grau de invasividade e o custo.
Referências:
- Clayton, A. H., Goldstein, I., Kim, N. N., Althof, S. E., Faubion, S. S., Faught, B. M., Parish, S. J., Simon, J. A., Vignozzi, L., Christiansen, K., Davis, S. R., Freedman, M. A., Kingsberg, S. A., Kirana, P. S., Larkin, L., McCabe, M., & Sadovsky, R. (2018). The International Society for the Study of Women's Sexual Health Process of Care for Management of Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women. Mayo Clinic Proceedings, 93(4), 467–487. https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2017.11.002
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Uma das primeiras medidas a adotar é gerir os fatores modificáveis, abordando doenças, medicamentos e situações psicossociais que possam estar a contribuir para a disfunção sexual. Pode então considerar-se tratamentos farmacológicos, como a mudança para um agente com ação no sistema nervoso central com menos efeitos secundários sexuais, a adição de antídotos que podem incluir hormonas como a testosterona, o estrogénio ou o DHEA, ou a substituição de um contracetivo hormonal por um método não hormonal. Ou pode adicionar-se medicação específica para a disfunção sexual.
Referências:
- Clayton, A. H., Goldstein, I., Kim, N. N., Althof, S. E., Faubion, S. S., Faught, B. M., Parish, S. J., Simon, J. A., Vignozzi, L., Christiansen, K., Davis, S. R., Freedman, M. A., Kingsberg, S. A., Kirana, P. S., Larkin, L., McCabe, M., & Sadovsky, R. (2018). The International Society for the Study of Women's Sexual Health Process of Care for Management of Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women. Mayo Clinic Proceedings, 93(4), 467–487. https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2017.11.002
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Na gestão da disfunção sexual induzida por medicação, pode mudar-se para antidepressivos com menos efeitos secundários no funcionamento sexual, adicionar antídotos fora de indicação, recorrer à acupuntura ou considerar psicoterapia. Não recomendo a redução da dose nem as interrupções programadas do medicamento, pois estas estratégias geralmente conduzem a recaída ou à interrupção definitiva da medicação.
Referências:
- Clayton, A. H., Goldstein, I., Kim, N. N., Althof, S. E., Faubion, S. S., Faught, B. M., Parish, S. J., Simon, J. A., Vignozzi, L., Christiansen, K., Davis, S. R., Freedman, M. A., Kingsberg, S. A., Kirana, P. S., Larkin, L., McCabe, M., & Sadovsky, R. (2018). The International Society for the Study of Women's Sexual Health Process of Care for Management of Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women. Mayo Clinic Proceedings, 93(4), 467–487. https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2017.11.002
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Os pontos-chave a reter são: as preferências do doente são fundamentais no tratamento da depressão, pelo que se deve considerar prescrever um tratamento inicial que tenha em conta as características clínicas, a gravidade dos sintomas, o comprometimento funcional e os efeitos secundários que o doente deseja evitar. A maioria dos doentes com TDM que interrompem a medicação psiquiátrica fá-lo por perceção de falta de eficácia. Ter uma condição de saúde crónica que requer medicação diária está associado a uma adesão parcial ou total ao tratamento em apenas 25% a 50% desses doentes. Efeitos adversos como disfunção sexual, aumento de peso ou falta de energia podem também contribuir para a interrupção da medicação ou ter um impacto negativo na qualidade de vida.
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A disfunção sexual como sintoma do perturbação depressiva major ocorre em cerca de 70% dos doentes com diagnóstico de depressão. Este sintoma pode melhorar com um tratamento eficaz ou pode surgir como efeito adverso de um antidepressivo. A primeira intervenção perante o aparecimento de disfunção sexual induzida por antidepressivos é gerir os fatores modificáveis, como doenças, medicamentos de natureza psiquiátrica ou médica, e situações psicossociais que contribuam para a disfunção sexual.
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Se a disfunção sexual persistir, deve considerar-se a mudança para um medicamento com menos efeitos secundários sexuais, como a bupropiona, a vortioxetina, a mirtazapina, a vilazodona, o sistema transdérmico de selegilina, a duloxetina, a desvenlafaxina ou a gepirone ER. O historial do doente, nomeadamente múltiplas tentativas falhadas com outros medicamentos, a eficácia do tratamento atual e as preferências do doente podem sugerir a adição de um antídoto para a disfunção sexual em vez da mudança de medicamento.
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Os antídotos podem incluir a adição de hormonas como o estrogénio, a testosterona ou o DHEA, a substituição de contracetivos hormonais por métodos não hormonais, ou a adição de bupropiona, buspirona, um inibidor da PDE5 ou mirtazapina. Deve monitorizar-se eventuais alterações na eficácia ou novos problemas de tolerabilidade, para além da melhoria no funcionamento sexual.
