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02. Qual antipsicótico adjuvante é melhor para a depressão maior?

Publicado em 17 de julho de 2026 Data de validade da certificação: 17 de julho de 2029 DOI: 10.64239/PI-PT-BR-QT8902

James Phelps, M.D.

Research Editor - Psychopharmacology Institute

Pontos-chave

  • Em uma metanálise em rede de cinco adjuvantes aprovados pela FDA para o transtorno depressivo maior (TDM), a lumateperona liderou nas taxas de resposta, com o aripiprazol logo atrás. No entanto, a análise excluiu lítio, olanzapina e quetiapina IR, apesar das evidências que sustentam seu uso.
  • O aripiprazol apresentou as menores taxas de descontinuação, enquanto a lumateperona registrou as mais altas. A dosagem fixa de 42 mg pode explicar a pior tolerabilidade da lumateperona; ela foi o único agente entre os cinco sem ganho de peso clinicamente preocupante.
  • O aripiprazol genérico (US$ 16/mês) e a quetiapina IR (US$ 9/mês) custam muito menos do que a brexpiprazola ou a lumateperona (aproximadamente US$ 1.500–1.800/mês). Como os agentes mais recentes não demonstraram superioridade clara, o custo deve ter peso significativo na escolha terapêutica.

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Qual antipsicótico adjuvante é melhor para a depressão?

Esta nova metanálise em rede tem recebido considerável atenção na literatura, por isso vale a pena situá-la em um contexto mais amplo. A questão central da pesquisa foi: entre os cinco antipsicóticos atípicos atualmente aprovados pela FDA para o tratamento adjuvante do transtorno depressivo maior, qual oferece o melhor perfil?

Idealmente, um estudo de comparação direta (head-to-head) seria o delineamento preferível. Como ensaios dessa natureza são raros — e uma comparação simultânea entre cinco medicamentos é ainda mais incomum —, uma metanálise em rede nos oferece uma estimativa do benefício e do risco relativos.

CANMAT recomenda aripiprazol e brexpiprazola

Antes de analisar os resultados da metanálise, é importante contextualizá-los. Quais tratamentos, de forma geral, são recomendados pelas diretrizes internacionais para pacientes com resposta parcial a um antidepressivo? A partir disso, podemos restringir o escopo aos antipsicóticos recomendados e comparar essas recomendações com os achados da nova metanálise em rede.

As diretrizes da Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT), publicadas em 2023, abordam especificamente a depressão sem resposta adequada ao antidepressivo. O algoritmo proposto começa sugerindo a adição de intervenções psicológicas “o mais cedo possível”. Entre as opções de primeira linha estão a terapia cognitivo-comportamental, a terapia interpessoal e a ativação comportamental.

Em seguida, recomenda-se considerar a troca do antidepressivo — especialmente quando há efeitos adversos além da resposta inadequada — ou a potencialização do esquema atual, particularmente na presença de resposta parcial clara. Para a potencialização, aripiprazol e brexpiprazola são opções de primeira linha.

Ambos os agentes aparecem novamente nesta nova metanálise em rede.

NICE propõe quatro opções equivalentes

Nas diretrizes do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), da Inglaterra, a potencialização medicamentosa é considerada após a avaliação de fatores pessoais e sociais, adesão ao tratamento, diagnóstico e intervenções psicoterápicas, incluindo atividade física. Quatro opções recebem peso equivalente:

  • Aripiprazol
  • Olanzapina
  • Quetiapina
  • Lítio

Dessas, apenas o aripiprazol foi incluído na nova metanálise em rede. O lítio foi excluído por não ser um antipsicótico — embora diversas metanálises tenham demonstrado sua superioridade em relação ao placebo como adjuvante a antidepressivos, com tamanho de efeito menor do que o da potencialização com antipsicóticos. O possível efeito antisuicida do lítio também merece consideração clínica.

Olanzapina e quetiapina IR excluídas

A olanzapina também não foi incluída na nova metanálise, apesar de ter demonstrado eficácia em associação com a fluoxetina. A quetiapina de liberação imediata (IR) igualmente foi excluída — ainda que diversos ensaios randomizados tenham evidenciado efeito antidepressivo em monoterapia na depressão unipolar —, pois não possui indicação aprovada pela FDA para essa finalidade. Apenas a formulação de liberação prolongada (XR) dispõe dessa aprovação, sendo, portanto, a formulação incluída na análise.

Viés em favor de medicamentos mais caros

Ao restringir a análise a medicamentos aprovados pela FDA, esta nova metanálise em rede acaba sendo direcionada para agentes mais recentes, mais onerosos e com menor experiência clínica de longo prazo.

Por isso, é importante não interpretar este estudo como um guia definitivo para a conduta ideal diante de uma resposta parcial a antidepressivos.

Lumateperona liderou nas taxas de resposta

Feitas essas ressalvas, vejamos os resultados: imagine uma corrida entre cinco competidores. Ao se aproximarem da linha de chegada às 6 semanas, buscamos o antipsicótico adjuvante com as melhores taxas de resposta. Na chegada, a lumateperona ficou em primeiro lugar, com o aripiprazol logo atrás.

Descontinuação favoreceu o aripiprazol

Há, porém, uma segunda linha de chegada igualmente relevante: as taxas de descontinuação refletem a carga de efeitos adversos nas primeiras 6 semanas. Por esse critério, a lumateperona ficou em último lugar, enquanto o aripiprazol ocupou a primeira posição.

Poderia parecer que o aripiprazol se consolida como o melhor antipsicótico adjuvante, mas a questão não é tão simples. Por exemplo, os estudos com lumateperona utilizaram uma dose fixa de 42 mg, ao passo que os múltiplos estudos com aripiprazol empregaram doses variáveis e tituladas. Assim, a menor tolerabilidade da lumateperona pode ser atribuída simplesmente à dosagem fixa. Além disso, a lumateperona foi o único agente entre os cinco — sendo os demais aripiprazol, quetiapina, brexpiprazola e cariprazina — não associado a ganho de peso clinicamente preocupante.

Diferenças de custo são expressivas

Os resultados da comparação, portanto, não admitem conclusões simplistas. Contudo, um aspecto é inequívoco. Com base nos dados do site GoodRx, refletindo preços praticados nos Estados Unidos:

  • Aripiprazol genérico: US$ 16 por mês
  • Quetiapina de liberação imediata: US$ 9 por mês
  • Brexpiprazola: cerca de US$ 1.500 por mês
  • Lumateperona: US$ 1.800 por mês

Para justificar essa disparidade de custo, seria necessário observar diferenças expressivas em eficácia, tolerabilidade e segurança — diferenças que não foram evidenciadas nesta metanálise em rede.

Conclusão para o clínico

Em síntese: o que fazer diante de um paciente com resposta parcial a um antidepressivo? Há múltiplas opções, incluindo intervenções psicoterápicas. Mas uma conclusão desta nova análise parece clara.

Os medicamentos mais recentes e onerosos não demonstraram superioridade inequívoca em relação ao aripiprazol genérico — nem em relação aos demais agentes que foram excluídos da análise.

Abstract

Resumo do artigo original, reproduzido em inglês.

Adjunctive Antipsychotics in Major Depressive Disorder A Systematic Review and Network Meta-Analysis

Roger S. McIntyre, MD; Stephen M. Stahl, MD, PhD; Sung Ryul Shim, MPH, PhD; Maurizio Pompili, MD, PhD; Joseph F. Goldberg, MD; Christoph U. Correll, MD; Angela T. H. Kwan, MSc; Christine E. Dri, HBSc; Heidi Xu; Maj Vinberg, MD, PhD, DmSc & Taeho Greg Rhee, PhD

Importance

Most adults living with major depressive disorder (MDD) fail to achieve remission with conventional antidepressants. The US Food and Drug Administration (FDA) has approved 5 atypical antipsychotics in MDD on the basis of their substantial evidence of efficacy and safety.

Objective

To compare the efficacy and acceptability of FDA-approved atypical antipsychotics for the adjunctive treatment of MDD in order to provide decision support to practitioners and persons with lived experience.

Data Sources

A systematic search was conducted using PubMed/MEDLINE, PsycINFO, the Cochrane Library, and Embase from database inception through July 15, 2025.

Study Selection

Six independent raters screened publications for eligibility. Inclusion criteria were atypical antipsychotics that are FDA approved in the adjunctive treatment of MDD.

Data Extraction and Synthesis

Two independent raters obtained data and examined risk of bias in accordance with the Cochrane criteria. Effect sizes were synthesized using random-effects models. Data were analyzed from August to September 2025.

Main Outcomes and Measures

The primary outcomes were efficacy (ie, ≥50% reduction from baseline in the total Montgomery-Åsberg Depression Rating Scale [MADRS] score) and acceptability (ie, all-cause discontinuation).

Results

A total of 22 short-term studies comprising 10 962 participants (aripiprazole: n = 1297; brexpiprazole: n = 1973; cariprazine: n = 1894; lumateperone: n = 483; quetiapine extended release [XR]: n = 719; and placebo: n = 4596) were included for analysis. Lumateperone had the highest effect size for efficacy (risk ratio [RR], 1.72; 95% credible interval [CrI], 1.40-2.15), followed by aripiprazole (RR, 1.53; 95% CrI, 1.32-1.77), brexpiprazole (RR, 1.38; 95% CrI, 1.18-1.65), cariprazine (RR, 1.20; 95% CrI, 1.07-1.36), and quetiapine XR (RR, 1.15; 95% CrI, 0.96-1.35). A hierarchy of acceptability was observed, with aripiprazole exhibiting the highest acceptability (RR, 1.16; 95% CrI, 0.89-1.50), followed by cariprazine (RR, 1.44; 95% CrI, 1.15-1.82), brexpiprazole (RR, 1.47; 95% CrI, 1.18-1.85), quetiapine XR (RR, 1.56; 95% CrI, 1.14-2.12), and lumateperone (RR, 2.30; 95% CrI, 1.45-3.84). Secondary outcomes (eg, symptomatic remission) and exploratory outcomes (eg, clinically significant weight gain) accorded with the coprimary outcomes.

Conclusions and Relevance

This systematic review and meta-analysis indicates that differences exist between adjunctive atypical antipsychotics in the treatment of MDD with respect to overall efficacy and acceptability, which should be simultaneously considered. The absence of adequate and well-controlled studies documenting maintenance efficacy of adjunctive atypical antipsychotics in MDD remains a knowledge gap.

Referência

McIntyre, R.; Stahl, S.; Shim, S.; Pompili, M.; Goldberg, J.; Correll, C. et al. (2026). Adjunctive Antipsychotics in Major Depressive Disorder. JAMA Psychiatry; 83(7):741.

Objetivos de aprendizagem:
Ao concluir esta atividade, o participante será capaz de:

  • Descrever as evidências para o uso de antipsicóticos na prevenção da recaída da catatonia e aplicar as recomendações atuais para o tratamento da doença psiquiátrica subjacente após a estabilização da catatonia.
  • Comparar a eficácia, a tolerabilidade e o custo dos antipsicóticos adjuvantes aprovados pela FDA para o transtorno depressivo maior, a fim de orientar a seleção baseada em evidências na prática clínica.
  • Avaliar a utilidade clínica e as limitações das metanálises em rede para a seleção de antipsicóticos na esquizofrenia aguda e aplicar os princípios da tomada de decisão compartilhada e de ensaios sequenciais centrados no paciente.
  • Resumir as evidências pré-clínicas e clínicas atuais sobre os agonistas do receptor GLP-1 e a ansiedade, para orientar pacientes com transtornos metabólicos e de ansiedade comórbidos.
  • Identificar intervenções farmacológicas e psicossociais com evidências para a cessação do uso de cigarros eletrônicos com nicotina e aplicar uma abordagem terapêutica escalonada na prática clínica.

Data de publicação original: 17 de julho de 2026
Data de expiração: 17 de julho de 2029

Especialistas: Scott R. Beach, M.D., James Phelps, M.D., Oliver Freudenreich, M.D., F.A.C.L.P., Derick E. Vergne, M.D. e David A. Gorelick, M.D., Ph.D., D.L.F.A.P.A., F.A.S.A.M.
Editores médicos: Sebastián Malleza M.D. e Flavio Guzmán, M.D.

Divulgações financeiras relevantes:

James Phelps, M.D. declara os seguintes interesses:
– McGraw-Hill: Published books about bipolar
– W.W. Norton & Co.: Published books about bipolar
– PESI: Honoraria for webinars about bipolar
– eCare: Honoraria for webinars about bipolar

Oliver Freudenreich, M.D., F.A.C.L.P. declara os seguintes interesses:
– Karuna: Researcher (MGH)
– Medscape: Speaker honorarium
– Wolters-Kluwer: Royalties for medical writing

David A. Gorelick, M.D., Ph.D., D.L.F.A.P.A., F.A.S.A.M. declara os seguintes interesses:
– Wolters Kluwer: Royalties for writing articles about cannabis and cocaine
– Springer Nature: Honoraria for editing the Journal of Cannabis Research
– PleoPhmarma, Inc.: Research funding for conducting a clinical trial on cannabis withdrawal

Todas as relações financeiras relevantes listadas acima foram mitigadas pela Medical Academy e pelo Psychopharmacology Institute.

Nenhum dos demais docentes, planejadores e revisores desta atividade educacional tem relações financeiras relevantes a divulgar nos últimos 24 meses com empresas não elegíveis cujo negócio principal seja produzir, comercializar, vender, revender ou distribuir produtos de saúde utilizados por ou em pacientes.

Informações de contato: Para dúvidas sobre o conteúdo ou o acesso a esta atividade, entre em contato em support@psychopharmacologyinstitute.com

Instruções para participação e crédito:
Os participantes devem concluir a atividade on-line dentro do período de validade do crédito indicado acima.

Siga estes passos para obter crédito CME:

  1. Veja o conteúdo educacional exigido na página deste curso.
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  3. Baixe seu certificado.

Observe que as datas de conclusão dos certificados de CME e SA CME são registradas em UTC. Dependendo do seu fuso horário local, as atividades concluídas no fim do dia podem aparecer no seu certificado com a data do dia seguinte.

Accreditation Statement:
This activity has been planned and implemented in accordance with the accreditation requirements and policies of the Accreditation Council for Continuing Medical Education through the joint providership of Medical Academy LLC and the Psychopharmacology Institute. Medical Academy is accredited by the ACCME to provide continuing medical education for physicians.

Declaração de credenciamento (tradução de referência): Esta atividade foi planejada e implementada de acordo com os requisitos e políticas de credenciamento do Accreditation Council for Continuing Medical Education, por meio da provisão conjunta da Medical Academy LLC e do Psychopharmacology Institute. A Medical Academy é credenciada pelo ACCME para fornecer educação médica continuada para médicos.

Credit Designation Statement:
Medical Academy designates this enduring activity for a maximum of 0.5 AMA PRA Category 1 credit(s)™. Physicians should claim only the credit commensurate with the extent of their participation in the activity.

Declaração de designação de créditos (tradução de referência): A Medical Academy designa esta atividade permanente para um máximo de 0.5 AMA PRA Category 1 credit(s)™. Os médicos devem reivindicar apenas o crédito proporcional à extensão de sua participação na atividade.

A ANCC reconhece os créditos AMA PRA Category 1 Credit(s)™ como horas de contacto, de acordo com a seguinte equivalência: 1 CME = 1 hora de contacto. Todo o nosso conteúdo é de psicofarmacologia, pelo que as horas de farmacologia indicadas no seu certificado correspondem aos créditos atribuídos a essa atividade. O certificado indica-as numa linha própria, separada da declaração de designação de créditos.

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