Fechar banner
Seção gratuita  - Quick Takes

03. Psicose induzida por cannabis: quais antipsicóticos previnem melhor a hospitalização?

Publicado em 1 de setembro de 2025 Data de validade da certificação: 1 de setembro de 2028 DOI: 10.64239/PI-PT-BR-QT7803

David A. Gorelick, M.D., Ph.D., D.L.F.A.P.A., F.A.S.A.M.

Professor of Psychiatry - University of Maryland School of Medicine

Pontos-chave

  • A prevalência de psicose induzida por cannabis aumentou substancialmente, possivelmente em razão da maior potência da substância e do aumento do consumo. O uso de antipsicóticos reduziu o risco de hospitalização em 25% para psicose, 25% para transtornos por uso de substâncias e 50% para condições clínicas gerais.
  • Para hospitalizações relacionadas à psicose, aripiprazol ou olanzapina de ação prolongada injetável reduziram o risco em 75% — o dobro da eficácia das formulações orais. A clozapina também se mostrou eficaz, ao contrário de risperidona, quetiapina e paliperidona.
  • Para hospitalizações relacionadas a transtornos por uso de substâncias, as opções eficazes incluíram olanzapina injetável ou oral, aripiprazol e paliperidona injetáveis, além de clozapina e risperidona orais.

Downloads gratuitos para acesso offline

  • Download gratuito do arquivo PDF

Versão em texto

Psicose induzida por cannabis: prevalência e desafios

A psicose induzida por cannabis é um transtorno mental grave cuja prevalência aumentou substancialmente nas últimas décadas. As razões para esse aumento são incertas, mas podem envolver maior prevalência do uso de cannabis e aumento da potência das variedades disponíveis. Segundo os critérios diagnósticos do DSM-5, a psicose induzida por cannabis deve ser temporária, ou seja, os sintomas devem se resolver em até um mês.

Entretanto, cerca de 1/3 dos pacientes evolui para esquizofrenia ou psicose não afetiva semelhante ao longo dos anos seguintes. Pouco se sabe sobre o tratamento ideal para a psicose induzida por cannabis. Não há estudos de tratamento de longo prazo publicados e nenhum medicamento possui aprovação da FDA para esse transtorno.

Arquivos gratuitos
Pronto!
Verifique sua caixa de entrada: enviamos todos os materiais para lá.

Estudo de banco de dados sueco rastreou hospitalizações

Este estudo conduzido pelo Dr. Mustonen e colaboradores avaliou evidências do mundo real sobre a eficácia de diferentes antipsicóticos na prevenção de hospitalizações após o diagnóstico de psicose induzida por cannabis. Os pesquisadores utilizaram múltiplos bancos de dados nacionais abrangentes que cobrem todos os residentes da Suécia, integrando registros de assistência médica ambulatorial e hospitalar, medicamentos prescritos e óbitos, no período de julho de 2005 a dezembro de 2023. A partir desses bancos de dados vinculados, foi identificada uma coorte de 1.772 indivíduos com psicose induzida por cannabis. Esses indivíduos foram acompanhados por 4 a 12 anos, com média de aproximadamente 8 anos. As taxas de hospitalização foram comparadas entre os períodos em que o indivíduo estava em uso de antipsicótico e os períodos sem medicação. Dessa forma, cada indivíduo funcionou como seu próprio controle. Essa análise intraindividual minimizou o risco de viés de seleção decorrente de diferenças individuais em background genético ou comorbidades.

Principais achados: antipsicóticos reduzem o risco de hospitalização

O estudo demonstrou que a prescrição de antipsicóticos reduziu significativamente o risco de três tipos de hospitalização:

  • O risco de hospitalização por qualquer tipo de episódio psicótico — seja induzido por substâncias, esquizofrenia ou psicose não especificada — foi reduzido em cerca de um quarto
  • O risco de hospitalização por qualquer transtorno por uso de substâncias também foi reduzido em cerca de um quarto
  • O risco de hospitalização por qualquer condição clínica geral foi reduzido em quase metade. As causas mais frequentes nessa categoria foram condições gastrintestinais, musculoesqueléticas, neurológicas, respiratórias e cardiovasculares.
Arquivos gratuitos
Pronto!
Verifique sua caixa de entrada: enviamos todos os materiais para lá.

Eficácia variou conforme o antipsicótico e a formulação

Os antipsicóticos apresentaram grande variação em sua eficácia na redução de hospitalizações.

  • Aripiprazol e olanzapina reduziram significativamente as hospitalizações por psicose tanto nas formulações orais quanto nas injetáveis de ação prolongada (LAI, do inglês long-acting injectable).
  • As formulações LAI foram particularmente eficazes, reduzindo as hospitalizações por psicose em cerca de 75% — aproximadamente o dobro do efeito observado com as formulações orais correspondentes.
  • A clozapina oral também se mostrou eficaz na redução de hospitalizações relacionadas à psicose. Por outro lado, outros antipsicóticos de uso frequente não demonstraram eficácia nesse desfecho:
  • Não foram eficazes a risperidona, a quetiapina e a paliperidona — nas formas oral ou LAI — para hospitalizações relacionadas à psicose. Na prevenção de hospitalizações por transtornos por uso de substâncias, uma gama mais ampla de antipsicóticos se mostrou eficaz:
  • Olanzapina oral e LAI
  • Aripiprazol e paliperidona LAI
  • Clozapina e risperidona orais Infelizmente, os tamanhos amostrais foram insuficientes para permitir comparações significativas entre antipsicóticos individuais quanto ao risco de hospitalização por condições clínicas gerais.

Aplicabilidade e limitações do estudo

Os achados do estudo são provavelmente aplicáveis às populações clínicas dos Estados Unidos. Os participantes abrangeram ampla faixa etária — de 16 a mais de 30 anos —, ambos os sexos e diferentes níveis educacionais, desde o ensino médio incompleto até a graduação universitária, além de distintos níveis socioeconômicos.

Uma diferença importante é a homogeneidade da população sueca. O estudo não reporta a raça ou etnia dos participantes, presumivelmente porque a grande maioria era de indivíduos brancos.

Arquivos gratuitos
Pronto!
Verifique sua caixa de entrada: enviamos todos os materiais para lá.

Conclusão clínica

Em síntese, o tratamento com antipsicóticos previne futuras hospitalizações por psicose, transtornos por uso de substâncias e condições clínicas gerais em pacientes com psicose induzida por cannabis.

Minha recomendação é tratar esses pacientes com um antipsicótico de ação prolongada injetável, preferencialmente olanzapina ou aripiprazol. Para aqueles que não toleram injetáveis, recomendo clozapina oral.

Abstract

Resumo do artigo original, reproduzido em inglês.

Real-world effectiveness of antipsychotic medication in relapse prevention after cannabis-induced psychosis

Antti Mustonen, Heidi Taipale, Alexander Denissoff, Venla Ellilä, Marta Di Forti, Antti Tanskanen, Ellenor Mittendorfer-Rut, Jari Tiihonen, Solja Niemelä

Background

Cannabis use is linked to treatment non-adherence and relapses in psychotic disorders. Antipsychotic medication is effective for relapse prevention in primary psychoses, but its effectiveness after cannabis-induced psychosis (CIP) remains unclear.

Aims

To examine the effectiveness of antipsychotic medication for relapse prevention following the first clinically diagnosed CIP.

Method

A cohort of 1772 patients (84.1% men) with incident CIP was identified from the Swedish National Patient and Micro Data for Analyses of Social Insurance registers. The primary outcome was hospitalisation due to any psychotic episode. Drug use data were collected from the Prescribed Drug Register and modelled into drug use periods using the PRE2DUP method. A within-individual Cox regression model was used to study the risk of outcomes during the use of different oral or long-acting injectable (LAI) antipsychotics compared with non-use.

Results

The mean age at first diagnosis was 26.6 years (s.d. = 8.3). Of the cohort, 1343 (75.8%) used antipsychotics and 914 (51.3%) experienced psychosis hospitalisation during the follow-up. Any antipsychotic use was associated with a decreased risk of psychosis hospitalisation (adjusted hazard ratio (aHR) 0.75; 95% CI 0.67-0.84). Specific antipsychotics associated with decreased risk included aripiprazole LAI (aHR 0.27; 95% CI 0.14-0.51), olanzapine LAI (aHR 0.28; 95% CI 0.15-0.53), clozapine (aHR 0.55; 95% CI 0.34-0.90), oral aripiprazole (aHR 0.64; 95% CI 0.45-0.91), antipsychotic polytherapy (aHR 0.74; 95% CI 0.63-0.87) and oral olanzapine (aHR 0.81; 95% CI 0.69-0.94).

Conclusions

In particular, LAIs, clozapine and oral aripiprazole were associated with a decreased risk of psychosis relapse following CIP. Prescribers should consider using more LAIs for better treatment outcomes after CIP.

Arquivos gratuitos
Pronto!
Verifique sua caixa de entrada: enviamos todos os materiais para lá.

Referência

Mustonen, A.; Taipale, H.; Denissoff, A.; Ellilä, V.; Di Forti, M.; Tanskanen, A. et al. (2025). Real-world effectiveness of antipsychotic medication in relapse prevention after cannabis-induced psychosis. Br J Psychiatry; 228(4):317-323.

Objetivos de aprendizagem:
Ao concluir esta atividade, o participante será capaz de:

  • Avaliar o perfil de eficácia e segurança do pramipexol como terapia adjuvante na depressão bipolar resistente ao tratamento.
  • Analisar a aplicação clínica da semaglutida no manejo da obesidade induzida por clozapina.
  • Selecionar os medicamentos antipsicóticos adequados para prevenção de hospitalizações em pacientes com psicose induzida por cannabis.
  • Comparar a eficácia relativa das opções terapêuticas para depressão resistente ao tratamento com base nos achados de metanálise em rede.
  • Reconhecer o papel emergente das alterações da microbiota intestinal nos transtornos depressivos e ansiosos.

Data de publicação original: 1 de setembro de 2025
Data de expiração: 1 de setembro de 2028

Especialistas: Kristin Raj, M.D., Oliver Freudenreich, M.D., F.A.C.L.P., David A. Gorelick, M.D., Ph.D., D.L.F.A.P.A., F.A.S.A.M., Paul Zarkowski, M.D. e Derick E. Vergne, M.D.
Editores médicos: Sebastián Malleza M.D. e Flavio Guzmán, M.D.

Divulgações financeiras relevantes:

Oliver Freudenreich, M.D., F.A.C.L.P. declara os seguintes interesses:
– Karuna: Researcher (MGH)
– Medscape: Speaker honorarium
– Wolters-Kluwer: Royalties for medical writing

Todas as relações financeiras relevantes listadas acima foram mitigadas pela Medical Academy e pelo Psychopharmacology Institute.

Nenhum dos demais docentes, planejadores e revisores desta atividade educacional tem relações financeiras relevantes a divulgar nos últimos 24 meses com empresas não elegíveis cujo negócio principal seja produzir, comercializar, vender, revender ou distribuir produtos de saúde utilizados por ou em pacientes.

Informações de contato: Para dúvidas sobre o conteúdo ou o acesso a esta atividade, entre em contato em support@psychopharmacologyinstitute.com

Instruções para participação e crédito:
Os participantes devem concluir a atividade on-line dentro do período de validade do crédito indicado acima.

Siga estes passos para obter crédito CME:

  1. Veja o conteúdo educacional exigido na página deste curso.
  2. Complete a Avaliação Pós-Atividade para fornecer o feedback necessário para fins de credenciamento contínuo e para o desenvolvimento de futuras atividades. NOTA: Completar a Avaliação Pós-Atividade após o questionário é requisito para receber o crédito obtido.
  3. Baixe seu certificado.

Observe que as datas de conclusão dos certificados de CME e SA CME são registradas em UTC. Dependendo do seu fuso horário local, as atividades concluídas no fim do dia podem aparecer no seu certificado com a data do dia seguinte.

Accreditation Statement:
This activity has been planned and implemented in accordance with the accreditation requirements and policies of the Accreditation Council for Continuing Medical Education through the joint providership of Medical Academy LLC and the Psychopharmacology Institute. Medical Academy is accredited by the ACCME to provide continuing medical education for physicians.

Declaração de credenciamento (tradução de referência): Esta atividade foi planejada e implementada de acordo com os requisitos e políticas de credenciamento do Accreditation Council for Continuing Medical Education, por meio da provisão conjunta da Medical Academy LLC e do Psychopharmacology Institute. A Medical Academy é credenciada pelo ACCME para fornecer educação médica continuada para médicos.

Credit Designation Statement:
Medical Academy designates this enduring activity for a maximum of 0.5 AMA PRA Category 1 credit(s)™. Physicians should claim only the credit commensurate with the extent of their participation in the activity.

Declaração de designação de créditos (tradução de referência): A Medical Academy designa esta atividade permanente para um máximo de 0.5 AMA PRA Category 1 credit(s)™. Os médicos devem reivindicar apenas o crédito proporcional à extensão de sua participação na atividade.

A ANCC reconhece os créditos AMA PRA Category 1 Credit(s)™ como horas de contacto, de acordo com a seguinte equivalência: 1 CME = 1 hora de contacto. Todo o nosso conteúdo é de psicofarmacologia, pelo que as horas de farmacologia indicadas no seu certificado correspondem aos créditos atribuídos a essa atividade. O certificado indica-as numa linha própria, separada da declaração de designação de créditos.

Divulgação sobre o uso de inteligência artificial (IA):
Ferramentas de inteligência artificial (IA) podem ter sido utilizadas em etapas limitadas do desenvolvimento desta atividade (p. ex., redação ou refinamento de linguagem). A ferramenta específica, a versão e a data de uso estão documentadas internamente.
A IA não determina recomendações clínicas. Todo o conteúdo é revisado, verificado e aprovado pelos docentes e editores médicos listados, e reflete o julgamento clínico humano independente, em conformidade com os ACCME Standards for Integrity and Independence in Accredited Continuing Education.

Arquivos gratuitos
Sucesso!
Verifique sua caixa de entrada, enviamos todo o material para lá.
Continuar no site
Instant access modal

Torne-se assinante Silver ou Silver extended.

Programa de CME em psicofarmacologia 2026–27

Obtenha até 122 créditos CME.